Resumo:
Aborda os excessos presentes na imprensa brasileira, que, embora lamentáveis, não justificam a supressão ou limitação da liberdade de crítica. Argumenta que, em comparação com os danos causados pela restrição à liberdade, os abusos da imprensa são muito menores. Ele critica a tendência de limitar a liberdade de expressão, considerando que os excessos da imprensa decorrem, em grande parte, do sistema político vigente, que consagra a irresponsabilidade dos governantes e os torna insensíveis à opinião pública. Compara o sistema parlamentar do Império, onde a crítica da imprensa levava à queda de ministros, com o atual regime presidencialista, onde os abusos e crimes cometidos pelos governantes muitas vezes permanecem impunes. Esse cenário gera na população uma crescente irritação, que muitas vezes se reflete em excessos de linguagem por parte da imprensa. Argumenta que cada regime impõe características distintas à imprensa. No absolutismo, a imprensa seria submissa, enquanto no presidencialismo, ela se torna impotente e vulnerável à corrupção. Para Pilla, a única forma de melhorar a imprensa é reformar o sistema constitucional, pois um regime democrático saudável é necessário para que a imprensa exerça sua função com dignidade e responsabilidade. Sugere que as tentativas de melhorar a imprensa pelo governo atual são, na verdade, uma tentativa de neutralizá-la.