Resumo:
Discute a atual situação da imprensa brasileira, destacando a ofensiva contra a liberdade de expressão e o surgimento de uma nova lei de imprensa, ainda não nomeada, que visa restringir essa liberdade. Critica a iniciativa que, segundo ele, foi desencadeada pela atuação do jornalista Carlos Lacerda, cujo estilo agressivo, embora patriótico, gerou uma resposta desproporcional do governo. Para Pilla, o governo tenta combater a liberdade de imprensa de forma exagerada, o que afeta todos os meios de comunicação, em vez de apenas os jornalistas envolvidos. Denuncia que a ação do governo, que inclui medidas como a apreensão ilegal do jornal Tribuna da Imprensa, reflete a subordinação do interesse geral aos interesses particulares, uma característica comum em regimes arbitrários. Também aponta que, embora o presidente Juscelino Kubitschek tenha se distanciado das medidas, a origem da iniciativa está claramente no setor militar do governo. Além disso, Pilla questiona a ideia de governar pela força, argumentando que, ao usar a força para controlar a imprensa, o governo inevitavelmente se envolve em disputas internas e compromete sua legitimidade. A surpresa é que, ao contrário do que muitos imaginavam, a iniciativa não partiu de quem se acreditava ser o chefe do setor militar, mas de outros grupos que buscam amordaçar a imprensa.