Resumo:
Critica a alegada responsabilidade que os governantes atuais, tanto civis quanto militares, invocam para justificar suas ações, argumentando que essa responsabilidade não é genuína. Ele observa que, enquanto se exige responsabilidade dos jornalistas, que influenciam a opinião pública, os governantes tentam, na verdade, amordaçar a imprensa para garantir sua própria irresponsabilidade. Destaca que, na lei, já existe uma forma de responsabilizar os jornalistas que cometem injúrias, calúnias ou difamações, e que, se mais processos não ocorrem, é porque as vítimas desses crimes, muitas vezes, são as mais vulneráveis a críticas. Ele vê nesse movimento uma tentativa de transformar os jornalistas em bodes expiatórios para esconder a irresponsabilidade dos governantes. Também evoca Ruy Barbosa, que, em 1920, apontou que o ideal dos governos latino-americanos, como o Brasil, era a irresponsabilidade, uma característica que se reflete no sistema presidencialista vigente. Sugere que, apesar de discursos sobre a responsabilidade, o que se busca é a perpetuação de uma administração irresponsável, à margem de qualquer modelo republicano real. O presidencialismo brasileiro, segundo Pilla, tem gerado diversas ditaduras, e os governantes não só perpetuam essa irresponsabilidade como a intensificam, sem qualquer compromisso com a verdadeira prática republicana.