Resumo:
Analisa a difícil situação política e econômica da Argentina após o governo peronista. O país foi deixado em ruínas, tanto econômica quanto moralmente, devido ao regime autoritário de Perón. Após a deposição do ditador, não se repetiu no país o mesmo erro ocorrido no Brasil, onde a mudança de regime não foi seguida por uma limpeza de suas consequências, o que levou a uma renovação das estruturas políticas. Na Argentina, entretanto, o retorno ao poder não foi facilitado pela ausência de apoio internacional, uma vez que muitos dos aliados do regime deposto ainda estavam ativos e buscavam justificar suas ações. Além disso, o regime totalitário gerou uma distorção moral, levando a uma certa aceitação da opressão e da corrupção que o peronismo implementou. Essa corrupção moral fez com que muitos, decepcionados, tentassem voltar ao passado, causando um ciclo vicioso que enfraqueceu a democracia. Destaca que a experiência do Brasil mostra como esse fenômeno se repete em vários países latino-americanos, onde as democracias se tornam mitos e os governos autoritários prevalecem, amparados pelo presidencialismo. O presidente argentino, Aramburu, fez um apelo dramático aos países americanos para não darem guarida aos inimigos da democracia argentina, mas Pilla expressa ceticismo sobre a eficácia desse apelo. Ele argumenta que a democracia só pode ser restaurada internamente, com um processo de saneamento político e moral, antes de se pensar em eleições. Caso contrário, a Argentina estará se entregando aos piores inimigos de sua democracia.