Resumo:
Responde a uma crítica feita por Danton Jobim sobre o parlamentarismo, argumentando que, ao contrário do que o jornalista sugere, a adoção desse sistema seria capaz de minimizar o militarismo na América Latina, em vez de agravá-lo. Jobim acredita que o parlamentarismo, ao possibilitar que uma maioria na Câmara derrube um governo, abriria portas para que a oposição buscasse apoio militar. No entanto, Pilla contesta essa ideia, afirmando que o problema real está no sistema presidencialista, que, ao conferir grandes poderes e irresponsabilidade ao presidente, facilita a intervenção dos militares na política. Explica que no Brasil, as intervenções militares não são fruto de um militarismo profundo, mas sim da incapacidade do regime presidencialista em substituir pacificamente governos fracassados. Ao contrário, o parlamentarismo permitiria a substituição eficiente de governos sem recorrer a golpes, já que oferece um governo coletivo e responsável. Para Pilla, ao eliminar a causa das intervenções militares — a dificuldade de trocar um governo ineficaz — o parlamentarismo reduziria significativamente esse problema. Ele conclui que, ao contrário do que pensa Jobim, o parlamentarismo não agravaria a presença militar na política, mas sim a diminuiria, já que proporcionaria uma maior capacidade de substituição de governos e evitaria a dependência de recursos militares.