Resumo:
Reflete sobre a defesa do presidencialismo feita por Carlos A. Dunshee de Abranches, que argumenta que o regime vigente seria superior ao parlamentarismo, considerando as "realidades brasileiras" e a "vocação presidencialista das Américas". Pilla questiona a vaguidade dessa expressão "realidades brasileiras", que, segundo ele, é usada de forma indefinida e não esclarece de maneira concreta a conexão entre esses problemas e o sistema de governo. Ele sugere que a referência a essas "realidades" pode estar ligada a problemas como a falta de espírito público, irresponsabilidade e corrupção na política, o autoritarismo dos governantes, desordem econômica, inflação galopante e o caos geral no país. Critica o uso do chavão sem análise crítica e observa que, se essas de fato são as realidades que se querem preservar, o presidencialismo seria, de fato, o regime mais adequado. Contudo, ele questiona se isso é realmente o que se deseja para o futuro do Brasil, já que, embora o presidencialismo tenha permitido o fortalecimento desses vícios, a sociedade não deve se conformar com essa situação. Embora o presidencialismo tenha promovido esses problemas, é necessário refletir sobre os caminhos para o futuro e buscar alternativas que possam reverter essa decadência.