Resumo:
Denuncia a natureza do regime militar que se instalou no Brasil após os golpes de 11 e 21 de novembro de 1955. Ele descreve o governo como uma ditadura pura, dominada pela figura do general Henrique Lott, que exerce o poder de forma absoluta, controlando todos os aspectos do governo, incluindo o Congresso Nacional e o Poder Judiciário. Critica a submissão de todos os poderes constitucionais à autoridade militar, destacando que o general Lott, apesar de sua posição como Ministro da Guerra, é, na prática, o verdadeiro chefe do governo. Pilla enuncia a hipocrisia do regime, que se disfarça de constitucional, mas funciona acima da Constituição, sem qualquer respeito pelas leis. A aceitação e até a legitimação dessa ditadura por diversas classes sociais, incluindo a juventude e setores como comércio, indústria e cinema, é vista como uma demonstração de que o país abraçou um regime extra-constitucional. O autor lamenta que, em nome de um falso nacionalismo, a ditadura tenha sido acolhida, especialmente pelos estudantes, que, em vez de lutar contra o despotismo, passaram a apoiar o regime, contribuindo para a consolidação de um governo autoritário. O autor questiona a verdadeira natureza desse nacionalismo e alerta para a grave situação do Brasil, onde a liberdade e a democracia parecem estar sendo sacrificadas em prol do autoritarismo.