Resumo:
Discute a instabilidade política dos gabinetes franceses, destacando que essa instabilidade é mais frequentemente criticada por estrangeiros do que pelos próprios franceses. Pilla observa que, nos países com governo presidencialista, a sucessão rápida de gabinetes pode ser vista como um sinal de fraqueza governamental, mas, na realidade, essa percepção é equivocada. A instabilidade dos gabinetes franceses, longe de ser um problema, é aceita pelos próprios franceses, pois, embora traga inconvenientes, ela preserva a democracia, que é vista como mais importante do que a estabilidade do governo. A resistência francesa à dissolução do parlamento, uma proposta que visaria estabilizar os gabinetes, demonstra o desejo de manter o equilíbrio entre os poderes. Pilla cita um artigo de Alain Deoaux, historiador francês, que defende que a mudança no governo não implica necessariamente em mudança de política, destacando que a política francesa segue princípios constantes. Embora a instabilidade pareça preocupante para os estrangeiros, ela não afeta negativamente a política do país. Pilla ressalta que, ao contrário do que é sugerido por algumas vozes autoritárias, os reformistas franceses buscam fortalecer o sistema parlamentarista, em vez de adotar o presidencialismo.