Resumo:
Contrapõe a realidade política francesa à situação vivida pelo Brasil e por outras repúblicas latino-americanas, criticando os defensores do presidencialismo que desdenham do sistema parlamentarista. Segundo o autor, os que criticam a França pela instabilidade de seus gabinetes não compreendem que essa rotatividade ministerial não compromete a continuidade administrativa nem o funcionamento do Estado. Pilla argumenta que essas mudanças são naturais em um regime democrático e refletem apenas adaptações às conjunturas políticas e sociais. Ele destaca que, mesmo após grandes tragédias históricas, como a guerra franco-prussiana e as duas guerras mundiais, a França conseguiu se recuperar rapidamente, mantendo sua estrutura e papel relevante no cenário internacional. Já o Brasil, apesar de não ter participado diretamente dos conflitos mundiais, encontra-se em ruína, marcado por instabilidade, golpes de Estado e regimes ditatoriais. Para o autor, é irônico que países em crise se julguem em posição de criticar a estabilidade de uma nação como a França, que continua crescendo e se desenvolvendo, inclusive graças ao seu sistema parlamentarista. A conferência proferida por Maurice Dehors, mencionada por Pilla, reforça essa visão ao mostrar o progresso da França no pós-guerra: crescimento populacional, aumento da produção, elevação da produtividade e continuidade de seu papel histórico na Europa.