Resumo:
Analisa criticamente a recorrente instabilidade política da América Latina, usando como exemplo o caso recente da Guatemala, que ele compara à própria trajetória do Brasil sob o regime republicano presidencialista. Observa que, na Guatemala, um presidente provisório — originado de uma ruptura anterior — organizou uma eleição em que venceu o candidato oficial, sendo este contestado por um general opositor sob suspeita de fraude. A agitação popular resultou em estado de sítio e, poucos dias depois, em um golpe militar, com a promessa de novas eleições. Segundo Pilla, nada garante que essas eleições futuras sejam mais legítimas, pois o próprio sistema está corrompido em sua essência. Ele critica duramente o modelo republicano presidencialista latino-americano, que concentra poder excessivo em um único indivíduo, eleito por voto direto. Esse modelo, segundo ele, incentiva fraudes, manipulações e disputas intensas, porque o prêmio da eleição é, na prática, o controle total do país. O sistema, em vez de educar politicamente o povo, o deseduca, promovendo ciclos viciosos de ditaduras, golpes e revoluções. Para Pilla, a América Latina vive em um estado de semi-inconsciência política, incapaz de promover uma reforma estrutural, mesmo após mais de um século de experiências fracassadas.