Resumo:
No editorial de O Estado de S. Paulo de 18 de março, é abordada a questão do Congresso Nacional e do Governo no Brasil, sugerindo que, se o Parlamento for capaz de dotar o país de governos idôneos, não seria necessário modificar o sistema, bastando que mantivesse sua dignidade e não cedesse às pressões externas. O artigo propõe que, diante da crise e da anarquia, o país precisa de um governo forte, pautado pela sabedoria e honestidade, em colaboração com um Congresso que represente adequadamente os interesses do país. No entanto, Raul Pilla argumenta contra essa visão, apontando que o Parlamento brasileiro, de fato, não tem a capacidade de formar um governo adequado. Ele destaca que, no sistema vigente, o governo executivo tem controle absoluto, inclusive sobre o processo legislativo, através do veto presidencial. Assim, o Congresso se vê impotente, sem poder real para influenciar ou mudar a situação, vivendo numa "fortaleza inexpugnável". Pilla critica a ideia de que o Congresso é o responsável pelo desgoverno do país, sugerindo que o problema reside na concentração de poder nas mãos do Executivo, que domina a política e impede que o Parlamento atue de maneira eficaz. A crítica de Pilla vai além da simples análise política e reflete um alerta sobre a necessidade de uma verdadeira reestruturação do poder político no Brasil.