Resumo:
Discute as possíveis consequências da chegada de Charles de Gaulle ao poder na França, destacando o risco para a democracia no país. Pilla argumenta que, com a ascensão de de Gaulle, a França pode passar a adotar um sistema de governo forte e pessoal, similar ao presidencialismo americano, o que representaria um retrocesso em relação ao sistema parlamentar de governo que vinha sendo aplicado. Ele observa que o sistema parlamentar francês permitiu a convivência pacífica entre diferentes correntes políticas por cerca de 80 anos, após a desastrosa guerra franco-prussiana. No entanto, com a provável reforma constitucional proposta por de Gaulle, essa convivência pacífica seria substituída por uma luta implacável entre os opostos, prejudicando a estabilidade interna do país. Pilla também destaca a crise política francesa, apontando que, apesar da crescente demanda por uma reforma institucional para corrigir a instabilidade ministerial, a solução oferecida por figuras como Pflimlin não atendia às expectativas de um sistema parlamentar verdadeiro e equilibrado. Segundo Pilla, a crise na França não é apenas uma questão de inadequação do sistema constitucional, mas uma consequência do retorno ao militarismo, impulsionado pela recente guerra. Ele conclui que, com de Gaulle, a França caminha para um governo autoritário, onde o poder presidencial continuará a impedir uma verdadeira resolução para os problemas políticos do país.