Resumo:
Raul Pilla faz uma distinção entre golpe e revolução, defendendo que, enquanto os golpes geralmente são condenáveis e não resolvem problemas, uma revolução verdadeira pode ser necessária, especialmente quando é uma resposta a uma crise política profunda. Pilla afirma que golpes, como os tentados em muitos países latino-americanos, são meras substituições de poder, frequentemente sem mudanças estruturais reais. Já uma revolução, quando inspirada e executada de forma honesta, é vista como uma necessidade urgente, capaz de trazer reformas profundas, seja por boas ou más razões. O autor destaca que o problema fundamental do Brasil é político, relacionado à falta de um bom governo. A crise crescente e a falência dos governos, em virtude da irresponsabilidade, improvisação, incompetência e improbidade, são apontadas como os maiores obstáculos. Pilla sugere que a solução para esses problemas seria a adoção de um sistema de governo democrático e representativo, o parlamentarismo, que possibilitaria a efetiva responsabilidade dos governantes e representantes, além de eliminar a improvisação e a incompetência. Critica o fato de que, há dois anos, a Câmara dos Deputados poderia ter votado a favor do parlamentarismo, mas foi impedida. Conclui que, caso o coronel José Alberto Bittencourt opte por realizar uma verdadeira revolução, não faltará um programa claro para tal: a implantação de um sistema parlamentarista como solução para os problemas políticos do Brasil.