Resumo:
Raul Pilla faz uma reflexão sobre a execução dos patriotas húngaros Imre Nagy e Maleter, destacando a indiferença do regime comunista em relação ao valor da vida humana. Para o comunismo, o ser humano é reduzido a um instrumento do Estado, sendo sacrificado sem consideração pelos mistérios e dignidade da vida. Pilla critica essa visão, apontando que a doutrina comunista, ao tentar promover a igualdade econômica, acaba tratando os indivíduos como meros objetos à disposição dos governantes. O autor expressa sua indignação também com a postura de um sacerdote baiano que, ao defender a pena de morte para "crimes hediondos" em um debate, cita São Tomás de Aquino. O sacerdote argumenta que, se alguém prejudicar a comunidade, é "louvável e salutar" que sofra a pena de morte para preservar o bem comum. Pilla, no entanto, questiona essa interpretação, sugerindo que a doutrina de São Tomás não defende tal conclusão. Discorda da ideia de que a sociedade tem o direito irrestrito de eliminar indivíduos, mesmo que estes sejam considerados uma ameaça à coletividade. Pilla reforça que a sociedade pode proteger-se de criminosos sem recorrer à morte, utilizando alternativas como a segregação, que respeitam a vida humana. Finaliza seu texto afirmando que a pena de morte, além de ser uma violação da dignidade humana, contraria os grandes mandamentos da lei de Deus.