Resumo:
Discute as críticas ao modelo de parlamentarismo adotado pela Alemanha Ocidental, estabelecido pela Constituição de Bonn. Pilla questiona a crescente valorização desse sistema no Brasil, especialmente diante do fato de que ele pode não ser o modelo ideal para uma verdadeira democracia representativa. Ele recorda que, apesar do prestígio internacional da Alemanha em vários campos, a sua experiência com o parlamentarismo, que surgiu como uma solução para evitar crises, apresenta graves falhas. Pilla cita o constitucionalista Mirkine-Guetzévitch, que descreve o sistema parlamentar alemão como excessivamente complexo e difícil de manejar, alertando que esse modelo poderia ser vulnerável, especialmente diante de partidos radicais, como neonazistas ou comunistas. Segundo o autor, os constituintes alemães, preocupados demais com possíveis crises e situações excepcionais, acabaram criando um sistema que facilita o surgimento de tais crises. O argumento central de Pilla é que, ao tentar prevenir eventuais catástrofes, o parlamentarismo de Bonn acaba criando um sistema intrincado e pouco prático, que pode comprometer a estabilidade política. Ele compara essa obsessão pelo "excepcional" ao que ocorreu em Weimar, onde uma constituição excessivamente forte preparou o terreno para a ascensão do nazismo. Pilla finaliza alertando que adotar esse modelo no Brasil seria um erro, sugerindo que o sistema tradicional consagrado pela experiência histórica seria mais adequado.