Resumo:
Denuncia a crescente deterioração do processo eleitoral brasileiro, principalmente devido à influência desmedida do dinheiro. O autor aponta que a corrupção eleitoral, antes restrita a práticas pontuais e localizadas, tornou-se um verdadeiro sistema de compra e venda de votos em grande escala. Os candidatos ricos ou aqueles com acesso aos recursos públicos, especialmente os ligados ao Partido Trabalhista, seriam os principais beneficiários desse mercado eleitoral. Pilla destaca que até o Rio Grande do Sul, outrora símbolo de civismo, foi corrompido por esse sistema, exemplificando com casos concretos de mercadores de votos atuando de forma descarada. A corrupção, segundo ele, ameaça a própria democracia, que está sendo substituída por uma aliança entre plutocracia e demagogia. Tal cenário afasta candidatos honestos e competentes, que não conseguem competir com os recursos dos corruptores. Embora reconheça que reformas eleitorais possam amenizar o problema — como o voto exclusivo em legenda, que reduziria o personalismo —, Pilla enfatiza que tais mudanças não são suficientes. Para ele, o verdadeiro combate à corrupção eleitoral só será eficaz com a restauração do espírito público e do civismo entre os cidadãos. Onde há consciência cívica, não se vende nem se compra votos. Portanto, além de reformar as leis, é essencial reeducar o povo e revalorizar a ética na política, tarefa difícil num ambiente de degradação moral, mas imprescindível para salvar a democracia.