Resumo:
Critica o mau funcionamento do sistema político brasileiro, destacando como ele se desvia das intenções originais. O autor aponta que há dois tipos de sinais evidentes: os imediatos e os que exigem análise. Entre os primeiros, ele destaca a influência exagerada do Ministério da Guerra sobre o regime, que subverteu a mecânica do sistema. No segundo grupo, Pilla menciona a excessiva utilização de vetos presidenciais, que praticamente anulam a capacidade legislativa do Congresso Nacional. O veto presidencial, previsto pela Constituição, é um instrumento excepcional, a ser utilizado somente em casos de inconstitucionalidade ou contrariedade aos interesses nacionais. No entanto, Pilla argumenta que o presidente usa esse poder de forma arbitrária, contrariando a intenção original da Constituição. Ao invés de utilizar o veto com critério, o presidente age como se fosse o único detentor da vontade legislativa, anulando o processo democrático. O autor ainda critica a falta de harmonia entre os três poderes, que deveria existir para garantir um funcionamento equilibrado do sistema político. Pilla também questiona a verdadeira independência do Poder Legislativo, que na prática se vê impotente diante das frequentes sanções presidenciais. Em sua análise, o que se observa não é uma democracia presidencial forte, mas uma ditadura burocrática que desvia a função do regime, prejudicando o processo legislativo e desvirtuando a intenção dos criadores do sistema político.