Resumo:
Critica a centralização e a personalização do poder no Brasil, especialmente sob a presidência de Juscelino Kubitschek. Pilla compara o governo presidencialista brasileiro a um sistema monárquico, onde o presidente exerce um poder quase absoluto, com uma onipresença que tenta resolver problemas de todo o país de forma imediata. Ele observa que o presidencialismo é um governo de uma pessoa só, com autoridade equivalente à de antigos monarcas, sendo comparável à figura do rei, como se viu na história dos Estados Unidos com George Washington. O autor questiona a eficiência dessa estrutura, destacando que a prática de Juscelino de resolver questões locais, como um "prefeito do Brasil", é impraticável em um país de dimensões continentais, como o Brasil. Ele argumenta que essa abordagem só poderia ser aplicada em municípios pequenos, onde o chefe do executivo pode, de fato, interagir diretamente com os problemas locais. No nível nacional, porém, os problemas são de outra natureza, mais complexos, e não podem ser tratados apenas em função de interesses locais, como sugere o modelo de Juscelino. Pilla reforça que governar não significa estar presente em todos os lugares, resolvendo questões pontuais, mas coordenar e centralizar a administração do país de forma eficaz a partir da capital, onde a gestão nacional deve se concentrar. Assim, ele critica a visão de um presidente que se comporta como um "prefeito", ao invés de um chefe de Estado.