Resumo:
Reflete sobre o culto à personalidade que permeia a vida pública no Brasil. Critica a prática de atribuir nomes de figuras públicas a obras públicas, como ruas, pontes e edificações, em uma tentativa de personalizar o espaço público. Pilla observa que, em vez de se esperar pela avaliação histórica das ações dos governantes, o que prevalece é o desejo imediato de reconhecimento e de legados pessoais. Um exemplo citado é a ponte sobre o rio Guaíba, que, embora tenha sido construída durante o governo de Juscelino Kubitschek e sob a administração do governador do Estado, recebeu o nome de Regis Bittencourt, diretor do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem. Pilla aponta que a escolha do nome de uma figura de segundo plano, em vez de um político de maior destaque, reflete uma tentativa de evitar o culto ao poder político e valorizar a contribuição administrativa. No entanto, ele alerta que essa dinâmica de nomeação, quando politizada, pode ser manipulada para fins partidários, como no caso da proposta de mudança do nome da ponte para Getúlio Vargas, realizada por Leonel Brizola. Para Pilla, essa atitude demonstra a exploração política da memória, algo que considera desonesto e oportunista, ressaltando que a história e os verdadeiros méritos dos líderes devem ser reconhecidos por suas ações, e não por interesses políticos imediatos.