Resumo:
Analisa criticamente a possibilidade de reeleição do presidente Juscelino Kubitschek, mesmo que este fosse considerado um grande estadista. O autor propõe, de forma hipotética, que Juscelino tivesse resgatado o Brasil de uma crise profunda com patriotismo, competência e firmeza — nesse cenário ideal, o reconhecimento popular viria por meio de homenagens e gratidão, mas nunca por meio da reeleição. Para Pilla, a reeleição, no sistema presidencialista, configura-se como uma ameaça direta à democracia, por fomentar o personalismo e a concentração de poder. Denuncia, com tom irônico e severo, o culto ao “homem providencial” — aquele que, supostamente, não tem substitutos, não forma sucessores e centraliza todas as soluções em sua figura. Pilla argumenta que a força das instituições democráticas reside justamente na alternância de poder, e que as Constituições republicanas sempre proibiram a reeleição para evitar ditaduras disfarçadas. Ele recorda ainda que o Rio Grande do Sul, por ter permitido reeleições, foi palco de revoluções sangrentas. No caso específico de Juscelino, Raul Pilla afirma que o presidente, longe de merecer glórias, acelera a ruína do país, mesmo que não tenha sido o responsável inicial por ela. Dessa forma, uma reeleição não representaria gratidão nacional, mas sim a consagração da irresponsabilidade e do desgoverno.