Resumo:
Raul Pilla faz uma crítica à política de desenvolvimento implementada no Brasil durante o governo de Juscelino Kubitschek. Segundo o autor, o chamado “desenvolvimentismo” é uma doutrina baseada na ideia de crescimento rápido e artificial, que não leva em consideração a harmonia e o equilíbrio necessários ao verdadeiro progresso de um país. Para ilustrar seu argumento, Pilla recorre a uma analogia com a biologia: o desenvolvimento de um ser vivo segue fases naturais, determinadas por fatores genéticos e ambientais. Quando esse processo é forçado ou desviado, surgem anomalias, estudadas pela teratologia. Transportando essa lógica para o campo social e econômico, ele afirma que os países também têm um plano natural de evolução, baseado em suas condições históricas, culturais e estruturais. Intervenções precipitadas e mal orientadas, ainda que bem-intencionadas, podem gerar um crescimento disforme, análogo às monstruosidades biológicas. Nesse sentido, Pilla classifica o crescimento promovido pelo governo JK como “acromegálico”: um gigantismo doentio, desproporcional, no qual se destacam partes visíveis e impressionantes — como a industrialização acelerada —, enquanto o organismo nacional permanece frágil em suas estruturas vitais. Para o autor, o Brasil está sendo transformado em um gigante com pés de barro, preparado apenas para exibição, e não para enfrentar os desafios reais de uma nação desenvolvida. O desenvolvimento saudável, segundo ele, exige prudência, conhecimento e respeito ao ritmo e às características próprias do país.