Abstract:
Traz uma reflexão sobre a instabilidade política e a ética administrativa no Brasil, com um foco em um episódio histórico envolvendo o político João Alfredo. Relata que, após a abolição da escravatura em 1888, o governo de João Alfredo se enfraqueceu rapidamente. Isso ocorreu, principalmente, devido a um contrato envolvendo a família do político com a administração pública, o que foi interpretado como um desvio ético. Apesar de João Alfredo defender sua integridade no Senado, o crescimento da oposição e a pressão pública resultaram em sua demissão. Compara essa situação com os tempos atuais, onde acusações graves contra ministros não geram, muitas vezes, grandes consequências. Observa que, no contexto do sistema parlamentarista da época, a instabilidade ministerial era comum, o que prejudicava a governança. No entanto, ele defende que a estabilidade política atual, mesmo com possíveis falhas éticas, garante maior segurança para os governantes e para o país. Conclui com uma crítica irônica à situação política moderna, ressaltando que a segurança proporcionada pelo sistema atual permite que os políticos "governem ou desgovernem" o país sem grandes perturbações. Em suma, sugere que a estabilidade política contemporânea, apesar de sua falibilidade ética, pode ser mais benéfica do que os conflitos constantes que caracterizavam o sistema parlamentarista do passado.