Resumen:
Aborda a relação entre o regime político e os costumes da sociedade, destacando a transição do sistema parlamentar para o presidencialista no Brasil. Rememora um episódio histórico envolvendo o governo de João Alfredo, em que a moral pública da época foi afetada por um caso envolvendo interesses privados e a administração pública. Questiona se as mudanças nos costumes da sociedade brasileira são reflexo das transformações políticas ou se, ao contrário, essas mudanças ocorreram independentemente das instituições políticas. Argumenta que o regime parlamentarista da monarquia exigia responsabilidade dos ministros perante o parlamento, o que promovia uma moralidade mais rigorosa, já que qualquer desconfiança poderia resultar na queda do governo. Em contrapartida, o sistema presidencialista da República, no qual os ministros não dependem diretamente do Congresso, enfraquece a responsabilidade política e moral, permitindo que os governantes mantenham o poder mesmo diante de crises de confiança pública. Conclui que, embora as instituições possam moldar os costumes, também são os homens e seus comportamentos que reagem sobre as instituições. Portanto, a mudança nos costumes é um fenômeno de mão dupla, onde as transformações políticas e as mudanças sociais influenciam-se mutuamente.