Abstract:
Aborda a centralização do poder presidencial como um problema estrutural do regime político brasileiro, especialmente após a promulgação da Constituição de 1946. Observa que, desde o início do mandato presidencial, as atenções políticas já se voltam para a sucessão, criando uma dinâmica em que toda a vida política e social do país passa a girar em torno do presidente em exercício e de seu futuro sucessor.Critica essa concentração de poder e influência, que reduz questões cruciais da nação, como a crise econômica e social, à simples escolha de um nome para ocupar o cargo máximo da República. Também destaca que esse fenômeno não é exclusivo do Brasil, mas inerente ao presidencialismo, citando a previsão de Alexander Hamilton nos Estados Unidos de que questões vitais do Estado seriam ofuscadas pela disputa pela presidência. No entanto, argumenta que, no Brasil, essa dinâmica é ainda mais prejudicial, pois "afoga" todas as demais questões, tornando a escolha presidencial não apenas dominante, mas paralisante para o país. Alerta para os riscos desse "regime esterilizante", que concentra as esperanças e frustrações de uma nação inteira em um único indivíduo. Conclui pedindo reflexão aos que têm responsabilidades políticas sobre os destinos do Brasil.