Resumo:
Discute as dificuldades enfrentadas pelo gabinete de Georges Bidault na França e analisa as críticas feitas pelos presidencialistas ao sistema parlamentar. O governo Bidault se mantém por uma estreita maioria no Parlamento, e sua queda parece iminente devido às divergências em torno da elaboração do orçamento. Os presidencialistas apontam a instabilidade dos gabinetes parlamentares como um defeito, mas Pilla argumenta que tal dinâmica é reflexo do funcionamento democrático, no qual a opinião pública pode influenciar mudanças de orientação governamental. A questão central envolve a oposição a três diferentes soluções para equilibrar o orçamento: aumento de impostos, redução de subsídios ou a aceitação de um orçamento desequilibrado. Caso o gabinete Bidault caia, será por ter perdido apoio parlamentar, e a nova maioria deverá assumir a responsabilidade de governar segundo sua proposta. Contrasta essa situação com o sistema presidencialista, no qual o governo teria autonomia para impor um orçamento mesmo discordando de suas diretrizes, o que resultaria em uma ditadura disfarçada. Conclui que, embora o sistema parlamentar permita quedas frequentes de governos, assegura a continuidade democrática, algo que o presidencialismo não pode garantir com a mesma legitimidade.