Abstract:
Analisa os atentados sofridos por Carlos Lacerda como um reflexo de uma profunda crise institucional no Brasil, não como incidentes isolados, mas como sintomas da falência do sistema presidencialista adotado desde 1891. Argumenta que o sistema é o responsável pela irresponsabilidade política generalizada, que gera abusos de poder em todas as esferas — nacional, estadual e municipal. A irresponsabilidade institucionalizada pelo presidencialismo permite a hipertrofia do poder, transformando governantes em tiranos que se julgam intangíveis e sagrados, sustentados pelo medo ou pela reverência dos demais. Destaca que essa estrutura alimenta um ambiente de desordem administrativa, violência, corrupção e dilapidação dos recursos públicos. Embora concorde com Lacerda sobre a existência da crise, Pilla vai além e foca na patogênese do problema: o presidencialismo cria condições para o abuso do poder, agravado por um contexto social que favorece a perpetuação desses males. Assim, ele sugere que é preciso reformar profundamente o sistema para combater as raízes da crise, e não apenas diagnosticar seus sintomas.