Abstract:
Critica a eleição direta para a Presidência da República, apontando-a como uma fonte de corrupção política. Argumenta que, no sistema presidencialista latino-americano, o presidente assume poderes excessivos, tornando-se, na prática, um ditador constitucional, ainda que temporário. Sua autoridade predomina sobre as demais instituições, o que faz com que sua eleição desperte o interesse de todos os setores da sociedade, dos mais legítimos aos mais oportunistas. Segundo ele, esse é o vício central do sistema: a escolha de um presidente não é a de um magistrado equilibrado, mas a de alguém com poder absoluto sobre as decisões do país. Isso gera corrupção antes e depois da posse, pois o objetivo da disputa eleitoral torna-se vencer a qualquer custo. No passado, quando o voto era manipulado, as eleições se resolviam nos bastidores. Agora, com a ampliação do voto real, a corrupção se intensifica. Explica que a propaganda eleitoral funciona como um instrumento de manipulação, enquanto as promessas e favores convencem eleitores vulneráveis. Conclui que, embora seja essencial eleger os melhores candidatos, a verdadeira necessidade é reformar as instituições representativas para garantir uma democracia mais autêntica e menos suscetível à corrupção.