Resumen:
Critica a discrepância entre a percepção pública do Poder Executivo e do Poder Legislativo no Brasil. Historicamente, o parlamento sempre foi visto como o verdadeiro representante do povo, enquanto o Executivo, muitas vezes, exerceu poder autoritário. No entanto, no Brasil, ocorre o inverso: o Presidente da República goza de uma imagem quase sagrada e inviolável, enquanto os parlamentares são severamente julgados pela opinião pública. Ele aponta como exemplo o governo de Eurico Dutra, envolvido em escândalos administrativos, como o resgate de títulos da dívida brasileira, que, apesar das denúncias, não afetaram sua popularidade. Em contrapartida, o Congresso Nacional, mesmo sem meios para oprimir ou corromper, é alvo de constante desconfiança. Até mesmo a Câmara dos Vereadores do Distrito Federal, apesar de sua incompetência, sofreu forte oposição, enquanto o prefeito, responsável por escândalos ainda maiores, foi poupado das críticas. Essa tendência também se manifestou no Rio Grande do Sul, onde o governador Walter Jobim, um dos mais ineptos, mas não dos mais autoritários, atacou injustamente a Assembleia Legislativa, que, embora tivesse maioria opositora, mostrou-se tolerante e colaborativa. Ao final de seu mandato, Jobim precisou de um bode expiatório para justificar sua ineficácia, e o parlamento foi o alvo escolhido. Conclui que essa preferência pelo Executivo em detrimento do Legislativo revela um desamor do povo brasileiro pela democracia, pois, ao invés de aperfeiçoar sua representação, ele tende a aceitar sua supressão.