Resumo:
Analisa a eleição e posse de Getúlio Vargas em 1950, considerando-a uma tragédia política para o Brasil. Para ele, o problema não está na posse de Vargas, mas no fracasso das lideranças políticas que permitiram sua eleição, apesar de sua deposição em 1945. Critica a falta de união da oposição, que não conseguiu evitar o retorno de Vargas, eleito por uma minoria. Dado o sistema político vigente, em que o governo exerce poder avassalador, essa minoria tende a se transformar em uma maioria esmagadora. Como exemplo do clima de submissão, Pilla menciona o telegrama de Cristiano Machado, candidato derrotado, a Vargas. Embora reconheça a necessidade de cortesia, o tom do telegrama demonstra fraqueza, quase pedindo desculpas por ter concorrido. Enfatiza que negar a posse ao presidente eleito seria um erro ainda maior, pois desmoralizaria a Justiça Eleitoral e criaria um precedente perigoso, comparável às fraudes do antigo Congresso. O caminho correto, segundo ele, seria a organização imediata de uma oposição vigilante, capaz de limitar o poder do novo governo. O maior risco, alerta, é a capitulação da oposição sob o pretexto de “colaboração”. Caso isso ocorra, a vitória de Vargas será completa e definitiva. Infelizmente, devido à desorganização da oposição, a oportunidade de resistir de forma eficaz já pode estar perdida.