Resumo:
Faz uma análise crítica da ascensão de Getúlio Vargas ao poder em 1950, destacando os contrastes com suas três investiduras anteriores e refletindo sobre as consequências desse retorno. Vargas, após ter sido levantado por uma revolução em 1930, eleito legalmente em 1934, e continuado no poder via golpe em 1937, agora volta ao cargo por meio de eleições livres, embora com uma maioria relativa, o que, para Pilla, não impede que o caráter de sua vitória seja questionado. Embora Vargas tenha obtido quase metade dos votos, o autor ressalta que a eleição de 1950 foi um grande espetáculo democrático, no entanto, com possíveis consequências catastróficas para o país. Contrapõe esse processo com o ocorrido em 1937, quando Vargas impediu a eleição de Armando Sales e José Américo de Almeida, instaurando uma ditadura fascistoide que comprometeu moralmente o Brasil. Ao comparar Eurico Gaspar Dutra, que, após sua presidência, soube realizar uma eleição livre em 1950, critica o fato de Vargas ter subtraído à Nação essa prerrogativa antes. Para ele, a grande dúvida é se, ao longo de seu novo governo, Vargas voltará a entregar o poder democraticamente, ou se se aproveitará das condições políticas para retomar práticas autoritárias. Conclui que é necessário manter a vigília para que o país não se adormeça em uma falsa sensação de que as condições atuais não permitem golpes como os de antes.