Abstract:
Analisa o governo de Getúlio Vargas como um governo essencialmente "getuliano", sem princípios ideológicos fixos ou um programa administrativo claro. Destaca que, apesar de contar com ministros de diversas orientações políticas – como liberais, socialistas e protecionistas – o governo de Vargas não se define pelas ideias ou propostas dos seus membros. Ao contrário de outros gabinetes, em que há uma identidade de pensamento e uma unidade em torno de um programa comum, o governo de Vargas carece dessa coesão, já que os ministros apresentam ideias pessoais, muitas vezes sem sintonia com os colegas, e estão sujeitos à vontade do presidente. A principal característica desse governo é sua flexibilidade e oportunismo, sendo um governo que pode pender tanto para a direita quanto para a esquerda, dependendo das circunstâncias. Para Pilla, o governo de Vargas se configura como um regime em que a ação do presidente prevalece, e a falta de um programa claro o torna indefinido e imprevisível. Sugere que, em vez de tentar definir o governo pelos seus integrantes, o mais adequado é reconhecer sua natureza como um governo centralizado em Getúlio Vargas, cujo objetivo principal parece ser a adaptação ao momento político, sem seguir uma ideologia fixa.