Abstract:
Critica a visão de Pedro Dantas, que, em sua interpretação constitucional, limita a análise dos fatores que perturbam o funcionamento da mecânica política à violência material. Segundo Pilla, Dantas ignora outras formas de violência, como a violência moral, que atua por meio de ameaças, intimidações e corrupção. Destaca que, ao restringir a violência ao aspecto físico, Dantas desconsidera as pressões invisíveis que podem ser exercidas por um governo poderoso, que, por ser quase irrestrito e irresponsável, pode inibir ou corromper outras instituições. Também faz uma crítica histórica ao comportamento do Congresso diante dos golpes de Estado, como o ocorrido em 1937, quando o Legislativo reagiu de forma "débil" à violência do Executivo. Ele compara a reação do primeiro Congresso da República, que, por ser novo no regime, teve uma postura mais digna, com a de 1937, quando o Congresso, já completamente integrado ao regime, se curvou ao ditador Getúlio Vargas. Ressalta que a reação débil foi motivada pela consciência de que o poder do Executivo era esmagador, levando o Congresso a se submeter. Também aponta que, apesar dos impulsos e tendências pessoais de Vargas, a transição para a ditadura foi impulsionada pelas circunstâncias e pela fragilidade do regime democrático. Conclui que Vargas, amadurecido pela experiência, poderia limitar-se a fortalecer o sistema legal já existente, sem recorrer à violência direta.