Resumen:
Concorda com Osorio Borba ao caracterizar o momento político do Brasil como a "Era dos Cafajestes", marcada pelo acanalhamento das instituições. Segundo ele, o longo período autoritário sob Getúlio Vargas e a reabertura abrupta da democracia em 1945, sem um tempo adequado para a reeducação política, resultaram na degradação das boas maneiras que ainda restavam da República Velha. No entanto, para Pilla, a crise vai além da falta de civilidade. O Brasil vive também a Era da Imoralidade – ou, pior ainda, a Era da Amoralidade. Enquanto em outras épocas de corrupção ainda se preservavam certas normas de comportamento, agora os princípios morais perderam completamente seu peso. A sociedade não valoriza mais a honestidade ou a fidelidade a princípios. Pelo contrário, o político admirado é aquele que mente, engana, usa o cargo para enriquecer e se apropria dos recursos públicos. Esses são os que recebem preferência popular e são considerados inteligentes e capazes. Já os políticos íntegros são vistos como ingênuos ou incapazes. Sugere que essa perversão moral se tornou tão evidente que sequer seria necessário apontar exemplos. Denuncia não apenas os políticos corruptos, mas também a sociedade que os enaltece, aceitando a corrupção como algo natural e inevitável.