Resumo:
Critica o discurso de Getúlio Vargas, em que o presidente se apresenta como alguém que busca prestar contas ao povo, mas, na verdade, tenta justificar o não cumprimento das promessas feitas durante a campanha. Vargas, segundo Pilla, quer explicar o que não conseguiu realizar, particularmente o “milagre” prometido, e se utiliza disso para justificar a decepção popular com seu governo, que se caracteriza por uma composição pouco popular ou populista. Aponta que Vargas tenta transferir a responsabilidade da grave situação do país ao governo de Eurico Dutra, seu antecessor. Reconhece que o governo Dutra não foi isento de falhas, mas ressalta que muitos dos problemas enfrentados por Dutra foram herdados diretamente do governo de Vargas, que, ao se omitir em revelar a real situação do país, deixou o país em um estado de falência sem a devida prestação de contas. Também critica a postura de Vargas, que, apesar de ser responsável por boa parte dos problemas enfrentados, adota uma atitude moralizante e autoritária, enquanto, na prática, seu governo favoreceu interesses pessoais e o enriquecimento de apadrinhados. Ele argumenta que o país viu uma distorção nos padrões morais da política, com um aumento do enriquecimento ilícito desde a ascensão de Vargas ao poder em 1930. Em resumo, sugere que a atitude de Vargas é hipócrita, já que ele é responsável pelas condições do país e, ao invés de corrigir seus próprios erros, finge moralizar a política.