Resumen:
A crítica se concentra na irresponsabilidade administrativa que permeia a administração pública brasileira. O procurador Cunha Melo apresenta um quadro alarmante de corrupção e má gestão, observando que os escândalos e as irregularidades se tornam cada vez mais comuns, mas, com o tempo, são gradualmente esquecidos. As diligências e investigações sobre esses casos nunca se concretizam, e a responsabilidade dos gestores públicos se dissolve à medida que novos escândalos surgem, tornando o processo de apuração uma constante protelação. A irresponsabilidade administrativa é caracterizada por uma falta de comprometimento com o bem público, onde as contas do governo são tratadas como se a coisa pública fosse algo sem dono ou responsabilidade. Essa irresponsabilidade se origina, segundo Pilla, de uma irresponsabilidade política mais profunda, vinculada ao regime presidencialista. Como os maiores escândalos não afetam o governo, que permanece estável e imune, o interesse em coibi-los ou investigá-los é praticamente inexistente. A irresponsabilidade política se espalha, influenciando todos os níveis da administração pública, e a falta de consequências para os responsáveis cria um ciclo vicioso onde a corrupção e a má gestão são toleradas e, muitas vezes, até naturalizadas.