Resumo:
Discute a proposta de reforma parlamentarista e as divergentes opiniões sobre sua implementação no Brasil. Ele inicia mencionando a crítica de Afonso Arinos, que, embora reconhecendo as qualidades da reforma, considera sua adoção inoportuna dada a situação política do país. Pedro Dantas, por sua vez, defende que qualquer reforma constitucional, incluindo a parlamentarista, deve ser adiada, pois o foco deveria ser a reeducação democrática das classes dirigentes e populares. Para Dantas, a reforma seria prematura diante desse problema mais amplo. Refuta essa posição, argumentando que os dois problemas não são excludentes e podem ser tratados simultaneamente. Ele sustenta que a reforma parlamentarista, ao contrário do que Dantas sugere, não só ajudaria a formar melhores políticos, como também educaria o povo no exercício correto da democracia. Cita o autor clássico Bagehot para defender a vantagem pedagógica do sistema parlamentarista, que seria mais eficaz do que o presidencialismo na formação política. Além disso, aponta que a incapacidade política observada no Brasil não é um fenômeno recente, mas um problema histórico, agravado pela ditadura. Ele afirma que a proposta de reforma parlamentarista é não apenas conveniente, mas urgente, sendo o único remédio capaz de salvar o país da crise política, ao contrário da crítica que a vê como inoportuna.