Abstract:
Analisa a relação entre o caudilhismo e o sistema presidencialista na América Latina, destacando como o poder pessoal, que caracteriza o caudilhismo, é legitimado pelo presidencialismo. O caudilhismo, uma característica marcante da América Latina, é descrito como a expressão máxima do poder pessoal, enquanto o presidencialismo serve para legitimá-lo dentro das estruturas republicanas. Argumenta que o presidencialismo, longe de corrigir essa tendência, a reforça ao permitir que o chefe do Estado mantenha um poder absoluto, eleito diretamente pelo povo e com liberdade para nomear e demitir ministros. Exemplifica com a situação de Cuba, onde, apesar das tentativas de reforma política para atenuar o caudilhismo, o sistema presidencialista continuou predominante. A reforma cubana não conseguiu eliminar a essência do poder pessoal, pois o presidente continuou sendo o centro do poder político. Observa que, com a proximidade das eleições presidenciais, o general Batista, diante de uma possível derrota eleitoral, optou por tomar o poder pela força, um reflexo da persistência do caudilhismo. Para Pilla, o presidencialismo, mesmo em sua versão atenuada, perpetua essa crise política, tornando-a um fator predisponente para golpes de Estado na região, ao contrário dos Estados Unidos, onde a crise política é mais atenuada.