Resumo:
Analisa a reação do produtor paulista à elevação do preço do açúcar determinada pelo Instituto correspondente. A princípio, parece contraditório que o produtor, que já tinha lucro com o preço antigo, se opusesse ao aumento, uma vez que o lucro maior seria esperado. Contudo, esclarece que a razão não reside em um egoísmo mesquinho, mas em uma preocupação legítima com a estabilidade econômica. A elevação artificial do preço do açúcar poderia gerar uma superprodução que, embora benéfica a princípio para os produtores de açúcar, causaria sérios danos à economia, prejudicando outras indústrias e lavouras como a de café e algodão, que perderiam trabalhadores e terras para a cana-de-açúcar. O deputado Herbert Levy, citado por Pilla, argumenta que o aumento dos lucros na indústria açucareira paulista, se sustentado, levaria à destruição da indústria canavieira nordestina, mas também à desestabilização de toda a economia paulista. O que o produtor paulista defende é um equilíbrio, onde o lucro deve ser sustentável e a valorização do açúcar não deve ser excessiva, para evitar a sobrecarga do setor e a crise subsequente. Conclui que, embora o lucro seja a base do capitalismo, é necessário que ele seja equilibrado e não artificialmente inflacionado, para garantir a saúde a longo prazo da economia e evitar efeitos negativos inesperados.