Abstract:
Rebate a visão do cronista Pedro Dantas, que enxerga na reforma parlamentarista um meio de favorecer a perpetuação de Getúlio Vargas no poder. Segundo Pilla, Dantas não explica nem justifica essa acusação, que carece de lógica, pois a emenda não prevê reeleição presidencial. Argumenta que, dada a concepção autoritária de Vargas sobre o poder, o modelo parlamentarista não lhe seria conveniente, pois o verdadeiro chefe de governo seria o primeiro-ministro, e não o presidente da República. Caso Vargas desejasse continuar no poder, precisaria conquistar e manter maioria no Parlamento, algo muito mais incerto do que uma eleição direta. Sugere que, se a real preocupação fosse impedir a volta de Vargas ao governo, uma solução mais eficaz e honesta seria cassá-lo politicamente, em vez de se opor ao parlamentarismo. Ele alerta ainda que, com a manutenção do regime presidencialista, a disputa pela presidência traria novas oportunidades para Vargas reassumir o poder pessoalmente. Também critica a generalização de Dantas ao afirmar que os trabalhistas apoiam o parlamentarismo apenas para servir aos interesses de Vargas. Refuta essa ideia lembrando que, desde a Assembleia Constituinte, a maioria da bancada trabalhista já defendia essa reforma, mesmo mantendo fortes vínculos com Getúlio. Isso demonstra que seu apoio não se deve a interesses escusos, mas a uma convicção política constante.