Resumen:
Comenta sobre um artigo de um matutino carioca que critica a falta de ação dos dirigentes brasileiros, sugerindo que eles poderiam aprender com o exemplo de Antoine Pinay, o primeiro-ministro francês que governou eficazmente sem culpar a Constituição pelos problemas do país. Concorda com a crítica de que o governo brasileiro não resolve seus problemas não por limitações constitucionais, mas por falhas em sua vontade, capacidade ou competência. No entanto, ele aponta que o articulista omite um aspecto fundamental sobre o contexto constitucional que permitiu o sucesso de Pinay. Destaca que Pinay teve a oportunidade de se destacar porque o sistema parlamentar francês permitiu a substituição de gabinetes ineficazes, algo que o sistema presidencialista rígido brasileiro não permite. No Brasil, se um governo falha, ele continua em poder até o fim do mandato, sem possibilidade de mudança. Isso, segundo Pilla, é um dos maiores problemas do modelo político brasileiro. Argumenta que a Constituição brasileira deve ser reformada para possibilitar a seleção e substituição de líderes mais capazes, como ocorreu na França, permitindo que novos governos possam surgir e responder aos desafios do país. No entanto, Pilla observa que a reforma necessária não é a que os governantes atuais desejam, pois ela implica em mudanças estruturais profundas no sistema político brasileiro.