Abstract:
Critica a postura da imprensa brasileira diante das reformas políticas propostas, especialmente a reforma parlamentarista. A imprensa, que historicamente tem sido um agente essencial nos movimentos políticos e sociais, agora adota uma postura inversa, apoiando ou combatendo reformas apenas quando o tema chega à Câmara dos Deputados, muitas vezes em função de interesses políticos pessoais. A emenda parlamentarista, que já tem o apoio da maioria da Câmara, é ignorada ou hostilizada pelos jornais, que preferem não apoiar movimentos de ideias e se envolvem mais com questões de interesses específicos. Destaca uma das grandes degenerações do regime presidencialista, que levou a imprensa a se tornar subalterna, reduzindo sua função de liderança da opinião pública. Ele faz referência a Rui Barbosa, que já havia criticado a imprensa brasileira por ser venal e interesseira. Quando a emenda parlamentarista foi proposta, alguns jornais começaram a se interessar pelo tema, mas não para apoiar a reforma; ao contrário, sua preocupação estava em manter o status quo e evitar mudanças que prejudicassem determinados interesses. Conclui que, no sistema parlamentarista, a imprensa teria maior dignidade e influência sobre o governo, pois, nesse sistema, a pressão da opinião pública tem um papel direto nas decisões do governo. Ele sugere que a resistência da imprensa à reforma parlamentarista reflete interesses subjacentes ligados ao poder político e econômico que se beneficiam do atual sistema presidencialista.