Resumen:
Aborda a reação desproporcional e irracional que a sociedade tem em relação à emenda Ferrari, que não altera substancialmente o sistema proposto. A emenda, que foi vista com receio por muitos, não traz inovações, mas gerou um clima de terror, principalmente devido à sua autoria por um representante trabalhista e, mais especificamente, getulista. A preocupação central da emenda é atribuir a escolha do chefe do executivo a um magistrado indicado pelo Congresso, o que, embora não altere o sistema de forma profunda, provocou um grande temor de que houvesse uma tentativa de golpe. Questiona esse medo irracional, comparando-o ao temor infantil do escuro, sugerindo que o pânico causado pela emenda é infundado. Ele aponta que o regime atual é, na verdade, mais suscetível a intervenções de poder por parte do presidente Getúlio Vargas, dado o caráter centralizado do sistema presidencialista. Argumenta que, no sistema parlamentarista proposto pela emenda, a interferência de Vargas na escolha do sucessor seria improvável, pois a Presidência perderia relevância como instrumento de poder. Conclui que o medo diante da emenda é infundado e que as preocupações políticas não têm base real, sendo uma reação irracional que impede a reflexão crítica sobre as possíveis vantagens de uma mudança no sistema político do país.