Resumen:
Analisa a crise estrutural da Polícia, destacando sua irresponsabilidade administrativa e política como reflexo direto do sistema de governo vigente. Ele aponta que, embora a presença policial tenha um papel preservador da ordem, a corporação frequentemente se torna fonte de perturbações, violando tanto o Código Penal quanto os direitos constitucionais dos cidadãos. A causa principal desse problema, segundo Pilla, é a falta de prestação de contas por parte das autoridades. Se o ministro responsável pela segurança pública dependesse do Congresso e pudesse ser destituído por um voto de censura, ele exigiria rigor e ética de seus subordinados. Essa cadeia de responsabilidade se estenderia até os delegados e investigadores. Contudo, na ausência desse mecanismo, os chefes de polícia preferem a conivência à luta contra os vícios internos, permitindo que a corrupção e a ineficiência se enraízem. Além disso, observa que os governos, apesar de eleitos, não se sustentam na verdadeira opinião pública e, por isso, temem pela própria estabilidade. Como resultado, recorrem à Polícia como um instrumento de poder, permitindo que seus abusos se multipliquem impunemente. Assim, a corporação se fortalece não pelo dever de proteger, mas pelo poder que detém sobre o governo. Para ele, a crise da Polícia é essencialmente política, sendo impossível reformá-la sem modificar o próprio sistema governamental que a alimenta.