Abstract:
Analisa a multiplicidade partidária e sua influência na dinâmica política do Brasil, especialmente no presidencialismo. Ele argumenta que a existência de vários partidos fortalece a separação entre os poderes, dificultando a concentração de autoridade no chefe do Executivo. No passado, durante a Primeira República, a predominância de um partido único e disciplinado fazia com que o Poder Legislativo fosse praticamente anulado, funcionando apenas como um instrumento do presidente da República. Com a introdução da representação proporcional, a situação mudou. Apesar de ainda existir um partido majoritário, a presença de partidos menores dificulta o controle absoluto do governo sobre o Congresso, forçando-o a negociar e ceder em algumas ocasiões. Essa mudança, embora não tenha eliminado o caráter autoritário do presidencialismo, representa uma atenuação da concentração de poder, o que já incomoda aqueles que desejam um Executivo mais centralizado. Para Pilla, há um movimento para restaurar o sistema de representação majoritária, eliminando os partidos menores e enfraquecendo a vida democrática. Como essa mudança exigiria uma emenda constitucional, seus defensores buscam caminhos alternativos, como a distorção da representação proporcional, visando reduzir o número de partidos e restaurar o controle do governo sobre o Legislativo. Assim, denuncia essa estratégia como uma tentativa de restringir a democracia e fortalecer uma “ditadura constitucional” dentro do regime presidencialista.