Resumen:
Analisa a situação da França no início do ano, quando o país se encontra sem gabinete, ou seja, sem ministros, o que desperta uma reação alarmada em muitos leitores. Destaca, porém, que, apesar de a imprensa noticiar a ausência de um governo em sentido técnico, o país não está, de fato, sem governo. O poder legislativo e o judiciário continuam funcionando normalmente, e o presidente da República mantém sua autoridade conforme a Constituição. A crise ministerial, portanto, não implica em interrupção da administração ou da governabilidade, que continua a operar de acordo com as leis vigentes. Explica que, em um regime parlamentar, a crise de governo representa apenas uma fase de adaptação, onde se busca encontrar um novo gabinete mais eficaz, sem afetar o funcionamento das instituições. Compara a situação à realidade dos países presidencialistas, como o Brasil, onde uma mudança inesperada de governo é vista como um colapso, algo impensável. A experiência francesa, por ser baseada no sistema parlamentar, é interpretada de forma diferente, evidenciando a diferença de mentalidade e conceitos entre os dois regimes. Para os cidadãos das repúblicas presidencialistas, a ausência momentânea de governo é confundida com anarquia, enquanto em uma democracia parlamentar, trata-se apenas de uma transição necessária para melhorar a governança.