Abstract:
Aborda a morte do irmão de Evita Perón é apresentada como um sacrifício imposto pelo próprio cunhado, João Duarte. Ele se suicidou, não tanto para escapar da punição, mas para adiar a queda do regime peronista que o havia sustentado. Observa que a corrupção é uma consequência inevitável das ditaduras, pois o ditador recorre à corrupção para conquistar apoiadores e manter o poder. Contudo, existe um limite para essa prática, especialmente quando as reservas morais do povo ainda não foram completamente esgotadas. A partir do falecimento de Evita Perón, João Duarte perde a proteção que o regime lhe oferecia, tornando-se vulnerável às pressões e aos ataques das forças morais da sociedade. A crescente insatisfação culmina no dilema: suicídio ou punição exemplar. A decisão de Duarte de se matar visa apenas retardar a queda do regime, como evidenciado pela carta deixada por ele. Adverte que, embora a ditadura peronista ainda domine a Argentina, o povo não está apodrecido moralmente, sugerindo que a mudança é possível. Reflete sobre as consequências da corrupção e da tirania, e como a opressão pode ser retardada, mas não eternamente evitada. A conclusão é uma crítica à tentativa de sustentar um regime ditatorial, reconhecendo que, apesar da aparente submissão, a moral da população ainda está viva.