Abstract:
Faz uma crítica contundente ao presidencialismo brasileiro, destacando a irresponsabilidade dos governantes como um dos principais defeitos desse sistema. Ele cita figuras como Ruy Barbosa e Otávio Mangabeira, que, apesar de se manterem doutrinariamente presidencialistas, reconhecem o impacto negativo da irresponsabilidade política. Argumenta que a irresponsabilidade gerada pelo presidencialismo se alimenta de si mesma, passando da política para a administração pública e, finalmente, afetando toda a sociedade. Ele observa que o país está afundando em uma crescente corrupção, com os governantes e as classes sociais convivendo com a impunidade. Usa o exemplo de um artigo do jornalista Macedo Soares, que critica a divulgação de investigações parlamentares sobre corrupção, destacando a vergonha e o prejuízo para o erário público. Para o jornalista, a publicação dessas informações expõe a corrupção, mas, ao mesmo tempo, reforça a ideia de que o Brasil é um país imerso em imoralidade, onde a impunidade reina. Discorda da condenação à divulgação dos inquéritos, afirmando que, apesar da vergonha, a transparência pode ser uma forma de provocar uma reação contra o regime, mostrando que nem tudo está perdido. Ele conclui que, mesmo em um cenário de degradação, a exposição da verdade pode abrir espaço para a mudança.