Abstract:
Aborda a relação entre o presidencialismo e os frequentes golpes de Estado e ataques à liberdade de imprensa na América Latina. Destaca que a rigidez do sistema presidencialista contribui para o surgimento de regimes autoritários e para a concentração do poder em uma única pessoa, o que acaba gerando abusos. Esses abusos culminam em reações como os atentados contra a imprensa, que, inicialmente, podem se manifestar de maneira violenta, como agressões físicas a jornalistas ou destruição de instalações de jornais. Contudo, em estágios mais avançados de despotismo, o ataque à liberdade de imprensa passa a ocorrer por meios legais, embora ainda ocorram episódios de violência material. Cita exemplos como o Estado Novo no Brasil, o regime de Perón na Argentina e outros governos latino-americanos que têm adotado tais medidas contra a imprensa. Ele observa que esses ataques são tão naturais no contexto do presidencialismo latino-americano quanto os golpes de Estado e revoluções. A crítica é dirigida aos proprietários de jornais, que, segundo Pilla, muitas vezes não percebem que seriam beneficiados por um sistema parlamentarista, onde a liberdade de expressão e uma opinião pública eficiente poderiam florescer. Assim, o texto propõe uma reflexão sobre os impactos negativos do presidencialismo e sua tendência a enfraquecer a liberdade de imprensa, fundamental para a democracia.