Resumen:
Critica a incompreensão do regime parlamentar por parte de certos comentaristas, tomando como exemplo um artigo do Jornal do Brasil sobre Clemenceau e a França. O artigo lamentava que o Parlamento francês tivesse rejeitado Clemenceau para a Presidência da República, escolhendo em seu lugar Paul Deschanel. Argumenta que o regime parlamentar não destina a presidência a figuras de destaque por seus serviços passados, mas sim a candidatos que garantam estabilidade institucional. Clemenceau, um líder enérgico, servira bem como Primeiro-Ministro, mas não seria adequado como Chefe de Estado, cujo papel exige isenção, probidade e desambição. Ele lembra a famosa frase de Clemenceau: "Je vote pour le plus bête", indicando que, no parlamentarismo, a presidência deve recair sobre o candidato menos ativo e menos propenso a abusos de poder. Essa tradição se deve às lições da história francesa, que sofreu com líderes autoritários antes da consolidação do regime parlamentar. Para reforçar seu ponto, Pilla faz uma analogia: ao nomear um ministro do Supremo Tribunal, um juiz de caráter ilibado, mas intelectualmente discreto, seria preferível a um brilhante, porém moralmente duvidoso. Da mesma forma, o Parlamento francês optou por candidatos confiáveis para a Presidência da República, evitando figuras ambiciosas que pudessem comprometer a estabilidade do sistema.