Abstract:
Defende a campanha cívica conduzida por Otávio Mangabeira contra Getúlio Vargas, rebatendo críticas de que a motivação seria meramente pessoal. Embora Mangabeira tenha razões pessoais para se opor a Vargas, Pilla argumenta que sua atuação se justifica por motivos patrióticos mais amplos. Ele ressalta que até mesmo ex-revolucionários de 1930, que não sofreram diretamente com Vargas, agora o combatem com firmeza. A centralidade da figura de Vargas na política nacional torna impossível dissociar o debate do elemento pessoal, pois a principal divisão política do país se dá entre aqueles que o apoiam e aqueles que o combatem. A crítica a Vargas não se dá por questões individuais, mas pelo significado político que ele carrega. O próprio presidente reforça esse personalismo ao apresentar-se como o único responsável pelo bem e a oposição como causadora dos males do Brasil. Esse comportamento, segundo Pilla, aproxima-se dos regimes totalitários, nos quais o líder se coloca como centro absoluto da política. Assim, a campanha de Mangabeira não é apenas contra um indivíduo, mas contra um sistema político baseado no personalismo, na concentração de poder e no autoritarismo. Ao enfrentar Vargas, ele busca demolir um estilo de governo que impede o pleno funcionamento da democracia.